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Estou com câncer… e agora?

  • Foto do escritor: Leila Vieira
    Leila Vieira
  • 28 de fev.
  • 3 min de leitura

Receber um diagnóstico de câncer costuma ser um daqueles momentos que dividem a vida em antes e depois. Em poucos segundos, uma palavra dita no consultório médico pode provocar um turbilhão de pensamentos, emoções e medos.


Muitas pessoas descrevem essa experiência como se o chão tivesse desaparecido debaixo dos pés. É comum que a mente se encha de perguntas: E agora? O que vai acontecer comigo? Será que vou conseguir enfrentar isso?


Mãos sendo seguradas em gesto de acolhimento, simbolizando apoio emocional no momento do diagnóstico de câncer de mama.

Nesse momento, é importante saber algo fundamental: as emoções que surgem após o diagnóstico fazem parte de um processo humano e natural de adaptação. Cada pessoa vive esse caminho de forma única, mas muitas atravessam fases emocionais semelhantes.


O choque e a negação após o diagnóstico de câncer


Uma das primeiras reações costuma ser o choque. A mente tem dificuldade em acreditar no que acabou de ouvir. Algumas pessoas sentem como se aquilo não fosse real; outras repetem mentalmente as palavras do médico, tentando compreender seu significado.


A negação também pode surgir, com pensamentos como: “Deve ter algum engano”,

"Talvez o exame esteja errado”, “Isso não pode estar acontecendo comigo”.


Essa reação não é fraqueza. Pelo contrário, é uma forma de proteção emocional. O cérebro precisa de tempo para assimilar uma notícia tão impactante.


A raiva e a revolta


Após o choque inicial, sentimentos de revolta ou injustiça são comuns. Muitas pessoas se perguntam: “Por que isso aconteceu comigo?”, “Eu sempre cuidei da minha saúde”, “Isso não é justo”.


A raiva pode ser direcionada à vida, ao destino, às circunstâncias ou até às pessoas ao redor. Essa emoção expressa a dor e a frustração diante de uma situação que ninguém gostaria de enfrentar e faz parte do processo emocional do câncer.


O medo e a ansiedade


O diagnóstico de câncer frequentemente desperta medo: do tratamento, dos efeitos colaterais, das mudanças no corpo e das incertezas em relação ao futuro. A mente começa a imaginar diferentes cenários, o que pode gerar ansiedade.


Nesse momento, o apoio emocional torna-se essencial. Conversar com profissionais de saúde, familiares, amigos ou participar de grupos de apoio ajuda a aliviar o peso emocional que costuma acompanhar essa fase.


A tristeza e o luto


Em determinado momento, muitas pessoas experimentam um sentimento profundo de tristeza. É como viver um luto — não apenas pela doença, mas pela vida que parecia seguir seu curso normal, pelos planos que precisam ser reorganizados e pelas mudanças que o tratamento pode trazer.


Chorar, sentir-se fragilizada ou precisar de silêncio são reações humanas diante de uma experiência tão intensa. Permitir-se sentir também faz parte do processo de cuidado emocional.


A aceitação e o reencontro com a força interior


Com o tempo, muitas mulheres começam a perceber dentro de si uma força que talvez nem imaginassem possuir. A aceitação não significa gostar da situação ou deixar de sentir medo, mas reconhecer a realidade e decidir enfrentá-la com coragem, um passo de cada vez.


Nesse momento, pequenos gestos passam a ter mais valor, as relações se tornam mais significativas e a esperança começa a ocupar novamente espaço no coração.


Há uma oração conhecida que traduz bem esse momento de aceitação:

“Concedei-me, Senhor, serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras.”

Ela nos lembra que nem tudo pode ser controlado, mas sempre é possível escolher como caminhar a partir dali. E, muitas vezes, é nesse espaço que a força interior começa a florescer.


Ninguém precisa enfrentar esse caminho sozinha


O câncer não é apenas uma experiência física — ele é profundamente emocional. Por isso, apoio, acolhimento e escuta fazem toda a diferença ao longo do tratamento.


Instituições de apoio existem justamente para oferecer orientação, cuidado emocional e presença humana às mulheres que atravessam esse momento tão delicado. Quando alguém encontra um espaço de acolhimento, percebe que não está sozinha e isso transforma a forma como o caminho é percorrido.


Cada história é única


Nem todas as pessoas vivenciam essas fases da mesma maneira ou na mesma ordem.

Algumas emoções podem surgir juntas, outras podem ir e voltar ao longo do processo.


O mais importante é lembrar que não existe uma forma certa ou errada de sentir. Receber um diagnóstico de câncer é uma experiência profunda e transformadora, mas também pode revelar coragem, cuidado e uma força interior que muitas vezes estava escondida.


Passo a passo, muitas mulheres descobrem que dentro delas existe muito mais luz e resistência do que imaginavam.

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